O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidato a Herói da Pátria

Livro de Aço
Livro de Aço
Livro de Aço

Tibira do Maranhão


(?-1614)


Indígena tupinambá


Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



O heroísmo de Tibira do Maranhão na construção de nossa Pátria é atemporal. Tibira do Maranhão foi executado com uma bala de canhão por ter ousado ser quem era: Indígena e homossexual, sua existência foi perseguida pelo projeto do Estado colonial que visava o aniquilamento das subjetividades construídas pelos povos originários, pelos que faziam da nossa ainda inexistente pátria em uma terra de subserviência, uma colônia de exploração, na qual seus líderes tinham como objetivo dizimar os povos originários, acabar com suas culturas, línguas e despi-los de qualquer orgulho que tinham de si.

Essa mesma luta, pela própria existência, permanece necessária em nosso país mesmo depois de tantos séculos. Uma luta que atravessou, de diferentes formas, diferentes personagens históricos no Brasil. A homossexualidade só deixou de ser crime mais de 2 séculos depois, em 1830, com a assinatura do Código Penal do Império do Brasil. O Direito à Terra de seu povo só foi reconhecido, minusculamente, na Lei Imperial nº 601 de 1850, que lhes deu direito às terras das Aldeias. O Serviço de Proteção ao Índio – SPI, só surge em 1910. O Direito às Terras por posse, apenas na Constituição de 1934.

Se foi então pelo ato de inúmeros Heróis Nacionais, que o Brasil passou a ser uma nação autodeterminada, democrática, e que minimamente respeita a existência de pessoas como Tibira do Maranhão, sua inscrição representaria que o Brasil de hoje, sob a luz dos princípios de nossa nação estabelecidos na constituição de 1988, acolhe a existência e o heroísmo de quem foi morto por ousar ser quem se era.

Sua morte brutal é um símbolo da violência e discriminação histórica que pessoas LGBTI+ e povos indígenas sofrem no Brasil desde os tempos coloniais. Ao incluir o nome de Tibira no Livro dos Heróis da Pátria, o Estado reconhece a sua importância para a história do país, bem como a luta de todas as pessoas LGBTI+ e dos povos indígenas que enfrentam diariamente o preconceito e a discriminação.

Neste contexto, é fundamental destacar a importância da intersecção das pautas das comunidades LGBTQIA+ e dos povos indígenas. A luta contra o preconceito e a discriminação deve ser abraçada de forma ampla, respeitando a diversidade cultural e valorizando as diversas formas de expressões étnicas, de sexualidade e de identidade de gênero.

Tibira do Maranhão é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 2.022/2023, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Deputada Erika Hilton
    Deputada Célia Xakriabá
  • Ementa: Inscreve no Livro dos Heróis da Pátria o nome de Tibira do Maranhão, indígena reconhecido como primeira vítima fatal documentada da homofobia no Brasil, assassinado em 1614.


Registro atualizado em 05/05/2026 18:31, visualizado 143 vezes.