O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.
Manuel
Ferraz de Campos Salles, que nasceu em Campinas (SP), em 13 de fevereiro
de 1841, filho de Francisco de Paula Salles e de Ana Cândida Ferraz, ambos
descendentes de famílias tradicionais da região ligadas à lavoura. Sua irmã
Maria do Carmo Salles casou-se com José Alves de Cerqueira César,
republicano histórico, que seria vice-presidente de São Paulo e como tal
assumiria o governo do estado de 1891 a 1892. Seu irmão José Alberto Salles
foi deputado federal por São Paulo de 1892 a 1893.
Fez os estudos preliminares em sua cidade natal, no
internato de Quirino de Amaral Campos, e aos 15 anos transferiu-se para a
capital da província para fazer os preparatórios. Ingressou na Faculdade de
Direito de São Paulo em 1859, e durante os tempos de estudante tornou-se
militante do Partido Liberal do Império, chegando a atuar como publicista em
órgãos de divulgação do partido. Formado em 1863, fixou-se dois anos depois
em Campinas, passando a exercer a advocacia.
Paralelamente à atuação profissional e à atividade no
jornalismo, deu início à carreira política, elegendo-se em 1867 para uma
cadeira na Assembleia Provincial de São Paulo. Nos anos seguintes, formou
com grupos dissidentes do Partido Liberal, que vieram a constituir o Partido
Republicano em 1870. Na ocasião do lançamento da nova agremiação, foi
lançado o Manifesto Republicano, do qual foi um dos signatários. Foi também
membro da direção provisória do Partido Republicano Paulista (PRP) em 1872,
tendo sido eleito várias vezes para sua comissão permanente nas décadas
seguintes.
Ainda na década de 1870, além de firmar sua liderança
política em Campinas, elegendo-se vereador por duas vezes com o apoio dos
republicanos, teve importante papel na organização e na definição doutrinária
do PRP. Para ele, o partido, em sua pregação antimonárquica, não deveria
recair em atitudes radicais ou mesmo destrutivas. Longe disso, deveria conduzir sua luta pela transformação do regime de forma prudente e
moderada, dado o cunho manifestamente conservador de suas tendências.
Nos anos 1880, teve movimentada vida políticoparlamentar, elegendo-se por duas vezes para a Assembleia Provincial (1882-
1883 e 1888-1889) e uma para a Assembleia Geral (1885). Como deputado
geral, participou ativamente dos debates parlamentares em torno do projeto do
gabinete Sousa Dantas relativo à abolição dos escravos com mais de 60 anos,
tendo sido defensor enérgico de uma solução gradual para a chamada
“questão servil”, já que via com preocupação os possíveis problemas para a
agricultura decorrentes de uma solução imediata. Dois anos depois, dada a
intensificação da luta abolicionista em São Paulo e no resto do país, em
discurso proferido na entidade dos lavradores paulistas, a Associação
Libertadora e Organizadora do Trabalho, veio a defender a libertação imediata
e incondicional dos escravos.
Em fins de 1889, à frente da comissão central do PRP, teve
importante papel na articulação de forças civis e militares paulistas que deram
apoio à derrubada do regime monárquico, ao lado de outros líderes do partido
como Francisco Glicério, Bernardino de Campos, Rangel Pestana e Prudente
de Morais. Coube-lhe especificamente estabelecer o contato entre os
correligionários paulistas e as lideranças civis que estiveram à testa do
movimento republicano na capital do Império.
Instalado o governo provisório da República em 15 de
novembro de 1889 sob a chefia do marechal Deodoro da Fonseca, Campos
Salles foi nomeado ministro da Justiça e assumiu o cargo em 18 de novembro
sucedendo a Rui Barbosa, que durante três dias acumulou essa pasta com o
Ministério da Fazenda.
Em 15 de setembro de 1890, como os demais membros do
ministério, Campos Salles foi assim eleito senador para a Constituinte que seria
instalada em 15 de novembro. Já em 22 de janeiro de 1891, porém,
acompanhando a decisão coletiva de seus colegas de ministério, demitiu-se da
pasta da Justiça.
Após deixar o ministério, iniciada a legislatura ordinária no
Congresso Nacional, Campos Salles passou a ocupar uma cadeira no Senado
Federal. Durante o breve governo constitucional de Deodoro – de fevereiro a
novembro de 1891 –, deu-se o rompimento político definitivo do presidente da
República com o grupo dos republicanos históricos formado por Campos Salles
e muitos dos signatários do Manifesto Republicano. Em razão disso, Salles
tornou-se líder da oposição ao governo no Senado e passou também a
combater o governador de São Paulo nomeado por Deodoro, seu excorreligionário Américo Brasiliense.
Em dezembro de 1895, Campos Salles foi lançado pelo
PRP candidato a presidente do estado de São Paulo na sucessão de
Bernardino de Campos, fixando sua campanha na defesa de um governo forte
que promovesse o incremento à agricultura, à imigração e à instrução pública.
Em fevereiro de 1896, concorreu sem adversários e venceu o pleito com um
total de 43.898 votos, sendo empossado em 1º de maio.
Nas eleições de 1º de março de 1898, Campos Salles
obteve um total de 174.325 votos, contra 16.534 de seu opositor, o florianista
Lauro Sodré. Em abril, definido o resultado eleitoral, partiu para Europa com
vistas a dar encaminhamento ao grave problema das contas externas do país.
Em 15 de novembro de 1898, Campos Salles assumiu a
presidência da República. Durante o seu quadriênio, orientou o seu governo
para o enfrentamento de duas questões fundamentais: a garantia da
estabilização financeira do país, com a qual firmara compromisso político e
pessoal, e a conformação de um acordo político que pudesse conter o jogo de
facções e fazer frente e isolar os grupos republicanos radicais, civis e militares,
que haviam colocado em xeque o governo do seu antecessor.
Em 1901, Campos Salles iniciou os movimentos políticos
para escolher o seu sucessor. Desde então fixou-se no nome de Rodrigues
Alves, ex-ministro da Fazenda de Prudente de Morais e então presidente de
São Paulo. Para Salles, chegara o momento de a República contar com a
ponderação e o equilíbrio de um ex-servidor do regime monárquico. Diz em
suas memórias: “Será um belo espetáculo ser elevado ao supremo posto, pelos republicanos de nascimento, um ex-servidor da monarquia, convertido e ganho
para o serviço da República. ‘A idade heróica, a idade cavalheiresca já passou’.
Agora, o verdadeiro patriotismo é o que consiste em designar os que forem
capazes e dignos.”
Durante os anos seguintes, dedicou-se aos negócios da lavoura em sua fazenda em Baranhão, no interior de São Paulo. Ao lado das atividades privadas, manteve intensa atividade política, tendo seu nome sido relembrado em duas ocasiões para concorrer à presidência da república: quando da sucessão de Rodrigues Alves, em 1906, e quando da sucessão do marechal Hermes da Fonseca, em 1914. Em nenhuma delas alcançou as condições necessárias para formar a chapa oficial.
Em 1912, desempenhou sua última função pública: foi ministro plenipotenciário do Brasil na Argentina. Morreu em Guarujá, São Paulo, em 28 de junho de 1913, com 72 anos. Foi casado com Ana Gabriela de Campos Salles, com quem teve oito filhos.
Campos Salles produziu importante obra política. Como
jornalista, colaborou em diversos jornais do seu estado. Publicou, entre outros
livros ou opúsculos, Atos do governo provisório (1891), Cartas da Europa
(1894), Manifestos e mensagens (1898-1902) (1902, republicado em 2007), Da
propaganda à presidência (1908, republicado em 1983). Sobre sua vida e
trajetória política foram publicados, entre outros, O Sr. Campos Salles na
Europa. Notas de um jornalista de Tobias Monteiro (1900), A presidência
Campos Salles de Alcindo Guanabara (1902), O idealismo republicano de
Campos Salles (1944), Vida e obra de Campos Salles de Raimundo de
Menezes (1974), Campos Salles: perfil de um estadista de Célio Debes (Rio de
Janeiro, 1978, vols. 1 e 2); A invenção republicana: Campos Salles, as bases e
a decadência da Primeira República brasileira de Renato Lessa (1988),
Fundamentos da ordem política republicana: repensando o pacto de Campos
Salles de Ana Luiza Backes (2006), e “Campos Salles: a arquitetura da
Primeira República” de Júlio Pimentel Pinto (apresentação da reedição de
Manifestos e mensagens, 2007).
Manuel Ferraz de Campos Sales é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 4.103/2023, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.
Registro atualizado em 03/05/2026 08:17, visualizado 135 vezes.