O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidato a Herói da Pátria

Livro de Aço
Livro de Aço
Livro de Aço

João Batista

Malunguinho


(?-1835)


Líder quilombola


Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



História de resistência, de luta e de liderança quilombola que marcou o Brasil no século XIX. Malunguinho foi o principal líder do Quilombo do Catucá, um dos mais importantes quilombos do Nordeste brasileiro, localizado na Zona da Mata Norte do Estado de Pernambuco. Sua trajetória não apenas representa a luta pela liberdade dos povos negros e indígenas escravizados, mas também destaca a construção de comunidades autônomas que resistiram às opressões coloniais e imperiais.

O Quilombo do Catucá emergiu em um contexto de intensas guerras civis entre
1817 e 1824, período em que muitos proprietários rurais da região participaram dos conflitos, resultando na fuga de inúmeros escravizados que encontraram refúgio nas matas. Conforme relata o historiador Marcus Carvalho:

As guerras civis de 1817 a 1824 tiveram outras repercussões no
interior. Boa parte dos proprietários rurais que participaram daqueles
episódios viviam na Zona da Mata Norte e nos engenhos perto da
cidade. Seus escravos, é claro, aproveitaram a oportunidade para
fugir. Até mesmo porque muita gente, na emergência, armou seus
negros para combater os adversários na política local, aproveitando
o pretexto de um acontecimento muito maior, como era o caso
dessas duas rebeldias. A partir dessas fugas, de outras ocorridas no
Recife, nas vilas e povoados do interior, surgiu um quilombo nas
matas do Catuci. O mais famoso líder desse quilombo foi o negro
Malunguinho.
(CARVALHO, 1998, p. 6-7)

Entre os anos de 1814 e 1837, Malunguinho consolidou sua liderança não apenas
pela habilidade estratégica, mas pela capacidade de articular uma comunidade diversa que encontrava no quilombo um refúgio e um espaço de reconstrução social. O Catucá não foi apenas um reduto de resistência armada, mas também um espaço de convivência plural, respeitando diferentes crenças, etnias e manifestações culturais.

O legado histórico de Malunguinho está amplamente documentado em pesquisas
historiográficas, como as do historiador Marcus Joaquim M. de Carvalho, que trouxeram à luz a existência histórica do líder quilombola e sua relevância nas lutas sociais do século XIX. As evidências históricas demonstram que João Batista foi o último Malunguinho registrado, morto em combate em 18 de setembro de 1835, vítima de uma emboscada planejada para desarticular o movimento libertário do quilombo.

Além de sua relevância histórica, Malunguinho ocupa um lugar central na cultura e religiosidade afro-brasileira e indígena. Sua memória foi incorporada na Jurema Sagrada, religião de matriz africana, indígena e nordestina, onde é cultuado como entidade espiritual responsável por abrir caminhos e intermediar o contato entre o mundo dos vivos e os encantados. Esta fusão entre história e religiosidade perpetua o legado de Malunguinho como símbolo de resistência, liberdade e conexão espiritual.

Recentemente, a relevância de Malunguinho foi celebrada no cenário cultural
brasileiro. No Carnaval de 2025, a escola de samba Unidos do Viradouro apresentará o enredo "Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos", destacando sua trajetória como líder quilombola e sua importância nas tradições afro-indígenas. O desfile ressaltará a luta por liberdade e resistência, promovendo um diálogo entre as culturas africana e indígena e homenageando a figura de Malunguinho como símbolo de resistência e ancestralidade.

João Batista é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 741/2025, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Talíria Petrone
  • Ementa: Inscreve João Batista, o Malunguinho, principal líder do Quilombo do Catucá, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.


Registro atualizado em 03/05/2026 10:49, visualizado 212 vezes.