O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.
Após conhecer a história desse Candidata a Heroína da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.
Elizabeth Teixeira foi a primeira mulher a liderar uma Liga
Camponesa, uma grande liderança na luta agrária pelo direito à terra e direitos
dos trabalhadores rurais no Brasil. Até os dias de hoje é fonte de inspiração
para milhares de pessoas por sua força e coragem.
Nasceu em 13 de fevereiro de 1925 na fazenda Anta do Sono, no
município de Sapé na região da zona da mata da Paraíba, filha de donos de terra
e comerciantes da área rural. Tinha muito interesse pelos estudos, mas na época
era tido como “coisa de homem”, então não pode concluir a escola. Desde criança
tinha um senso crítico e de justiça e questionava as condições vulneráveis de
trabalhadores do campo.
Aos 15 anos conheceu João Pedro Teixeira. O relacionamento começou
em segredo, pois seu pai não permitiria que se envolvesse com um homem pobre,
lavrador e negro. Dois anos depois, Elizabeth fugiu para casar com João Pedro e
foram morar em Jaboatão, Pernambuco. Eles tiveram 11 filhos.
Em 1954, voltaram para Sapé, para morar e trabalhar em uma das
propriedades do pai de Elizabeth. Foi então que o casal viveu de forma mais
imersiva com os trabalhadores rurais. Vivenciaram uma série de situações
adversas no campo, com trabalhadores em condições de vida muito precárias,
sem receber pelo trabalho prestado e por vezes expulsos da propriedade sem
nenhum direito - os camponeses cultivavam a terra, mas não tinham acesso à
sua propriedade. A partir dessa vivência de injustiças, João Pedro fundou as
Ligas Camponesas de Sapé, movimento que reivindicava reforma agrária,
melhores condições de trabalho e o fim da exploração dos camponeses e que se
difundiu por todo o Nordeste. Em três anos já tinha mais de 15 mil filiados.
Elizabeth Teixeira, que veio de família de donos de engenho, optou por
abrir mão de seus privilégios e aderir à luta campesina, não apenas apoiando seu
companheiro, como assumindo a liderança do movimento após sua morte em
1962. João Pedro foi assassinado por forças ligadas aos latifundiários, que viam
sua atuação como uma ameaça ao sistema de concentração de terras. No velório
do marido, que contou com a presença de cerca de 5 mil camponeses, ela disse:
“Você sempre me perguntava se eu continuaria sua luta caso algo acontecesse.
Eu ficava calada, sem saber o que dizer. Hoje, eu digo que continuarei sua luta,
João Pedro, até o fim.” Sua coragem em continuar a militância, mesmo sob risco
de morte, evidencia seu compromisso com a justiça social e sua disposição para
enfrentar um sistema profundamente desigual. Após dois anos a frente do
movimento, o número de associados dobrou e sua atuação reforçou a
participação das mulheres na luta do campo, entre elas, Margarida Maria Alves.
Ao assumir a liderança da Liga Campesina, Elizabeth foi presa diversas
vezes e chegou a ter sua casa incendiada. Com o golpe militar de 1964, os
movimentos sociais, especialmente os ligados à reforma agrária, passaram a ser
brutalmente perseguidos pelo estado. Elizabeth Teixeira foi uma das vítimas desse processo: foi presa e separada dos filhos, sendo obrigada a viver na
clandestinidade, com identidade falsa, para escapar da repressão, por quase duas
décadas. Durante esse período, trabalhou como lavadeira e deu aula para
crianças. Mesmo nesses anos de clandestinidade, sempre arrumava uma forma
de falar sobre a importância da reforma agrária no país.
Sua história só veio a público novamente com o documentário “Cabra
Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, que revelou ao Brasil sua luta
e as consequências da repressão militar em sua vida e na de sua família. O filme
integra uma lista dos 100 melhores filmes brasileiros, elaborada em 2015 por
críticos associados e convidados da Associação Brasileira de Críticos de
Cinema (Abraccine).
Mesmo após anos de perseguição e sofrimento, Elizabeth nunca
abandonou a defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. Ao longo de sua
vida, participou de debates sobre reforma agrária e justiça social, tornando-se
um símbolo de resistência para novas gerações de militantes do campo. Ela
afirma que: “enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe
trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das
mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e explorados”.
Seu legado vai além da trajetória pessoal: representa a luta coletiva de milhares de camponeses que enfrentaram a violência do latifúndio e do
Estado para conquistar o direito à terra. Sua história inspira movimentos como
o MST e reforça a importância da organização popular para a construção de
um Brasil mais justo.
A casa onde viveu com João Pedro e seus 11 filhos na Paraíba virou o
Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, local que recebe os trabalhadores do
campo e presta assistências e se dedica a homenagear todos os lutadores que
dedicaram suas vidas a uma causa coletiva.
Em 2006, Elizabeth Teixeira recebeu o Diploma Bertha Lutz, do Senado
Federal para agraciar mulheres que tenham contribuído na defesa dos direitos da
mulher e questões do gênero no Brasil.
Em 2018, recebeu do Governo da Paraíba a Medalha da Liberdade,
honraria destinada a homenagear indivíduos, instituições ou entidades que
tenham contribuído para a defesa dos direitos humanos, democracia e liberdade.
Elizabeth Teixeira é reconhecidamente um símbolo de luta
Elizabeth Altino Teixeira é candidata a Heroína da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 303/2025, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.
Registro atualizado em 02/05/2026 16:35, visualizado 143 vezes.