O "Livro de Aço - Heróis e Heroínas do Brasil" é uma obra que reúne o nome de brasileiros e brasileiras ilustres, considerados heróis e heroínas por suas contribuições significativas para o país.

Candidato a Herói da Pátria

Livro de Aço
Livro de Aço
Livro de Aço

Clóvis Steiger de Assis Moura

Clóvis Moura


(1925–2003)


Jornalista, escritor, sociólogo


Após conhecer a história desse Candidato a Herói da Pátria, não perca a oportunidade de visitar Símbolos Municipais e conhecer o brasão, a bandeira e o hino dos 5.571 munícipios brasileiros.



Sociólogo, historiador, jornalista e militante Clóvis Moura no Livro dos Heróis
e Heroínas da Pátria, que se destina, segundo o art. 1º da Lei nº 11.597, de 29
de novembro de 2007, ao “registro perpétuo do nome dos brasileiros e
brasileiras ou de grupos de brasileiros que tenham oferecido a vida à Pátria,
para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo”.

A brilhante biografia que Clóvis Steiger de Assis Moura
protagonizou entre 1925, quando nasceu em Amarante, no Piauí, e 2003, ano
de seu falecimento, é marcada justamente por sua intensa dedicação – e pela
oferta de toda uma existência – à construção de uma pátria efetivamente livre.
Afinal, esta, no caso brasileiro, só poderá ser assim reconhecida quando seus
cidadãos alcançarem plena consciência de seu passado escravocrata, e forem
capazes de combater os legados perversos que ele deixou para as relações
sociais e raciais no País.

A principal forma pela qual Clóvis Moura contribuiu para a
construção dessa consciência, e para a tomada de ação antirracista, pode ser identificada em sua vasta produção intelectual, que desafiou narrativas
tradicionais, nas quais a resistência ativa do povo negro escravizado era
comumente minimizada ou ignorada. Pioneiro na análise sistemática dos
quilombos e das rebeliões negras no Brasil, suas obras criticam o mito da
democracia racial e o olhar paternalista sobre a população escravizada, que
frequentemente a retrata como passiva diante das opressões sofridas,
tornando-a suscetível a uma injusta responsabilização pela condição vivida. O
autor, por sua vez, destaca as insurreições negras contra o escravismo como
um dos principais motores da história no Brasil, e o papel crucial que os
quilombos desempenharam nesse sentido, funcionando como uma espécie de
“resposta coletiva” dos escravizados à ordem social baseada no trabalho
forçado.

Livros de sua autoria, como “Rebeliões na Senzala”, publicado
em 1959, e “Sociologia do Negro Brasileiro”, publicado em 1988, foram
fundamentais para redefinir a compreensão das contribuições negras para a
sociedade brasileira, e iluminar aspectos de nossa história comumente
silenciados ou mal representados, possibilitando a construção de um
conhecimento histórico a partir da ótica dos subalternizados. Moura interpreta a
formação social do Brasil colonial e imperial por meio de sua inevitável
vinculação ao modo de produção escravista, mas sem desconsiderar a agência
do negro como sujeito histórico, uma vez que os quilombolas, os escravizados
e os libertos constituíram as principais forças contrárias à ordem escravista,
protagonizando a luta de classes daquele período.

Clóvis Moura, contudo, não se ateve ao papel de interpretação
do Brasil, por mais relevante e grandiosa que essa tarefa, por si só, já fosse.
Como um intelectual orgânico que foi, comprometeu-se com a ação prática, em
prol da transformação da sociedade brasileira. Nesse sentido, o sociólogo e
historiador foi também um militante ativo pelos direitos civis, e contribuiu com
diversos movimentos sociais que lutavam pela emancipação da classe
trabalhadora e pela causa antirracista – sem a qual, para ele, não haveria
possibilidade de emancipação humana. Seus conhecimentos e suas pesquisas
apoiaram a formulação de estratégias no âmbito de movimentos sociais, como o movimento negro, e suas plataformas de escrita foram por ele utilizadas,
como jornalista engajado, para abordar questões sociais urgentes.

Da mesma forma em que processos históricos de longa duração, como o sistema colonial e a economia escravista, apresentam
inúmeros desdobramentos no momento presente – em que a divisão social do
trabalho segue racializada, com a população “não branca” majoritariamente
presente nos estratos mais explorados e vulneráveis –, a obra de Clóvis Moura
continua sendo uma referência na academia e para além dela, inspirando
pesquisas e discussões sobre as questões sociais e raciais no Brasil. Afinal,
continuamos em busca de uma sociedade que tenha a coragem de analisar
suas estruturas e instituições com o devido cuidado e franqueza, e sobre elas
atuar em prol da eliminação do legado escravocrata que se perpetua no País,
violentando cotidianamente a população negra. Nesse sentido, não há dúvidas
de que o compromisso com a verdade histórica e a justiça social que a vida e a obra de Clóvis Moura carregam serve de inspiração para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, merecendo, portanto, ser eternizado em nossa história.

Clóvis Steiger de Assis Moura é candidato a Herói da Pátria Brasileira, conforme o Projeto de Lei 800/2025, que propõe a inclusão de seu nome no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria", também conhecido como "Livro de Aço". Esse livro está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, Distrito Federal, e tem como objetivo homenagear brasileiros e brasileiras que contribuíram de forma notável para a história do país.

  • Autoria: Daniel Almeida
  • Ementa: Inscreve o nome do intelectual Clóvis Moura no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.


Registro atualizado em 03/05/2026 12:57, visualizado 120 vezes.